Plantas Fitoterapêuticas

Introdução


Os agentes fitoterapêuticos que agem sobre o tracto digestivo estão de certa forma facilmente classificados. Usamos uma classificação simples que nos permite ‘dispor’ estas plantas mais facilmente.


A finalidade disto não é a de limitar o reconhecimento da acção destas plantas, mas antes, permitir relembrar as suas principais acções mais facilmente. Deve estar presente que muitas destas plantas agem sobre mais do que um sistema do corpo.


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Plantas Amargas


Este é o grupo de plantas com sabor amargo. Muitas plantas tem propriedades amargas, mas para os fitoterapêutas, as plantas amargas são aquelas que podem causar um benéfico aumento clínico nas secreções de suco gástrico.


Uma substância amarga estimula as papilas gustativas na língua e faringe, que por sua vez, envia impulsos nervosos às células nervosas no córtex cerebral. Isto causa uma estimulação reflexa de saliva e de sucos digestivos no estômago, aumentando a sua mobilidade. Quando as substâncias de gosto amargo alcançam o estômago, elas estimulam a secreção da hormona gastrina, que por sua vez aumentam ainda mais a actividade digestiva no estômago. Desta forma, a planta amarga melhora o apetite e a digestão do alimento.


O receio comum naqueles que tomam plantas amargas é o aumento de peso. Isto é compreensível visto que muitos equiparam uma melhoria no apetite com excesso de peso. Entretanto, a situação não é tão simples como parece. É verdade que as plantas amargas melhoram o apetite, mas estas plantas não aumentam a capacidade do sistema digestivo. As plantas amargas não provocam mais fome.


Durante uma refeição, há um momento onde você começa a sentir-se ‘cheio’. Esta sensação dá-se basicamente devido a mudança nos níveis de açúcar no sangue e a distensão do estômago, neste momento sinais são enviados ao cérebro, indicando que não pode acomodar mais alimento. As plantas amargas não alteram estes mecanismos e por isso, não mudam o ponto no qual a saciedade é sentida.


Naquelas pessoas com pouco apetite, (e crianças com ‘selectividade alimentar’ são um bom exemplo disto), plantas amargas podem estimular o apetite, tanto que o sistema digestivo pode trabalhar a um nível próximo da sua verdadeira capacidade. As plantas amargas são consequentemente proveitosas naqueles com pouco apetite (tal como aquelas pessoas que convalescem de uma doença crónica, ou anoréxicas), mas não actuam como estimuladoras do apetite em circunstâncias normais.


Plantas amargas importantes são Centauria e Genciana. Outras incluem Absinto e Cardo Santo.


Carminativas


Existem muitas plantas que são capazes de auxiliar nos sintomas de indigestão e dispepsia. Estas plantas são geralmente referidas pelos fitoterapêutas como carminativas, e são definidas como plantas que podem ajudar em quadros de indigestão, inchaço e outros desconfortos digestivos relacionados.


As carminativas parecem actuar no estômago em cinco formas específicas.


Os movimentos do estômago são aumentados pela melhoria do tónus dos músculos na parede do estômago, aumentando as contracções. Isto faz com que o ar seja expelido do estômago, o qual é estimulado ainda mais pelo relaxamento do esfíncter esofageal inferior


Ocorre um aumento nas secreções do estômago, melhorando a digestão


Os músculos lisos do esfíncter pilórico são relaxados, permitindo a passagem de alimento e gás nos intestinos


O fluxo de bilis aumenta, estimulando a digestão


Uma acção anti séptica e anti bacteriana


 


A hortelã é a principal planta carminativa e o seu efeito em melhorar a digestão tem sido usado pela indústria de doces em diferentes produtos contendo a Hortelã numa base de açúcar.


A camomila é também extremamente útil para indigestão. Outras plantas carminativas incluem Funcho, Alcaravia e Coentro. É interessante observar que muitas destas plantas são usadas na alimentação diária de muitas culturas.


Plantas do Fígado e Vesícula Biliar


São muitas as plantas que têm acção sobre o fígado. Dentre as principais estão Cardo Mariano que agora é considerado ‘valioso’ como um ‘protector do fígado’.


Plantas tais como Dente-de-Leão, Boldo e Curcuma tem actividade sobre o fígado e a vesícula biliar. A produção de bilis é aumentada (no fígado), e a vesícula biliar é estimulada a libertar bilis no duodeno. Isto melhora o processo digestivo.


Laxativas


As laxativas são uma das mais amplamente usadas em medicamentos farmacêuticos e fitoterápicos. Insubordinadamente, estas disciplinas opostas estão unidas nesta área, visto que a ampla maioria dos laxativos farmacêuticos contem plantas como ingredientes. Existem dois tipos de laxativos.


Os laxativos produtores de volume incluem Plantago (Psyllium) e Linhaça. Estes não são laxativos no sentido estrito do termo, visto que fornecem volume no tracto alimentar, da mesma maneira que a fibra dietética, tal como o farelo.


Os laxativos estimulantes incluem Frângula, Sena e Cascara. Estes laxativos provocam um aumento nas contracções dos músculos no intestino grosso, estimulando assim a eliminação de fezes.


Plantas Anti-diarreicas


A Tormentilha é uma das principais plantas anti-diarreicas que temos na Fitoterapia.


Anti-eméticas


O Gengibre é uma das principais plantas anti-eméticas conhecidas. O seu principal uso na fitoterapia é para náuseas e uma considerável quantidade de pesquisas têm sido feitas para dar base a este facto.


Em muitas partes do leste da Ásia, dita a tradição que a mulher grávida receba uma dose diária de um consomé, feito de um cozido de galinha com uma grande quantidade de gengibre. O benefício derivado deste prato é óbvio, o gengibre actua como um proveitoso anti-emético para os enjoos matinais.


A hortelã também possui uma favorável acção anti-emética, embora isto não seja bem conhecido. Para o paladar ocidental, está longe de ser agradável tomá-la pela manhã. Um copo de chá de hortelã pela manhã pode ser de grande alívio para a mulher nos primeiros meses da gravidez, se estiver aflita com enjoos matinais.


Centauria (Centaury)


Informação e Descrição


A planta Centauria (Centaury) é uma das mais importantes plantas amargas. Faz parte da família da Genciana, Gentianaceae e duas outras plantas nesta família, Gentiana lutea (Great Gentian) e Gentiana purpurea (Yellow Gentian) também possuem propriedades amargas benéficas. Muitos dos comentários a respeito da Centauria também serão aplicáveis a Genciana.


A Centauria é uma planta pequena e imperceptível que cresce em secas normalmente em grande quantidade. É uma planta com espinhos e uma pequena cabeça de flores rosas. A família Genciana pode ser encontrada nas montanhas da base dos Alpes nas latitudes mais elevadas da Ásia.


Em alguns países, as propriedades amargas da centauria são utilizadas em bebidas alcoólicas e não alcoólicas. É catalogada pelo Conselho da Europa como um condimento natural.


Modo de Acção


O gosto amargo da Centauria provém do glucósido Eritaurina. Este princípio amargo é muito forte e os extractos da planta preservam ainda um sabor amargo quando diluídos a uma relação de 1 para 3,500.


As acções dos princípios amargos no corpo começa logo que as papilas gustativas são estimuladas. A secreção dos sucos gástricos no estômago aumenta juntamente com os seus movimentos. A hormona gastrina é secretada pela acção directa das substâncias amargas no estômago. Isto aumenta as secreções gástricas e os movimentos do estômago. Também aumenta o tónus do esfíncter esofageal inferior, que pode ser útil quando está presente o refluxo esofageal.


Uso Medicinal e Clínico


  • Como uma substância amarga para o estômago

  • Melhora a transformação de géneros alimentícios

  • Indigestão / acidez do estômago

  • Hérnia de hiato / refluxo ácido

  • Estimula o apetite

A Centauria é extremamente útil como uma substância amarga pura para o estômago. Ela aumenta a estimulação dos sucos gástricos e desta forma estimula o apetite naqueles que estão anoréxicos. Não tem sido verificado que as substâncias amargas aumentem a quantidade total de alimento consumido ou a capacidade de apetite. A sensação de saciedade chegará quando o estômago estiver pleno e a Centauria não afecta isto de forma alguma.


A acção das substâncias amargas em estimular a produção de gastrina e a sua acção subsequente sobre o esfíncter esofageal inferior pode torná-la útil para o tratamento de refluxo esofageal e os efeitos desagradáveis de uma hérnia de hiato.


As substâncias amargas são úteis também no tratamento dos sintomas da indigestão, quando são causados pela digestão deficiente dos alimentos encontrados no estômago e duodeno. A Centauria parece aumentar a quantidade de secreção dos sucos digestivos mas não necessariamente as células secretoras de ácido. Por esta razão, em face de uma planta amarga a acidez dos conteúdos das secreções do estômago será equilibrada, tornando-a mais apropriada se for o caso da secreção ser o problema.


Casos de indigestão podem frequentemente resultar de ingestão apressada de uma refeição. É importante que o alimento seja deglutido adequadamente por que quando é mastigado parcialmente é engolido rapidamente, e pode não haver tempo suficiente para os sucos digestivos serem produzidos no estômago. Há uma sobrecarga para o estômago, onde o alimento fica por longos períodos de tempo, e surgem os sintomas de indigestão. Um aumento na produção dos sucos digestivos e a melhor mobilidade do estômago podem auxiliar nestes sintomas.


  • Hortelã

Informação e Descrição


A Hortelã (Mentha piperita), ou simplesmente, Menta, é uma das plantas medicinais mais antigas e seria quase um crime falar do tracto digestivo sem dar a esta planta o seu devido lugar. A hortelã é sem dúvida, a planta mais usada no mundo, sendo encontrada em uma ampla variedade de diferentes confecções. O chá de menta após o jantar evoluído provavelmente de um costume antigo de encerrar os banquetes com um ramo de menta para auxiliar a digestão, e prevenir contra a indigestão que se pode seguir.


Pensa-se que esta planta tem origem na Ásia Oriental e foi verificado ser um híbrido de duas plantas diferentes. É ainda uma das primeiras plantas a ser cultivada activamente. As plantas originais não são muito conhecidas e a Hortelã tem demonstrado ter uma composição genética complexa.


Aqueles que tem hortelã nos seus jardins saberão que a planta cresce vigorosamente e multiplica-se através de rizomas. Entretanto, quando crescem num lugar sem transplante regular, a hortelã pode deteriorar-se, perdendo o sabor e aroma.


Modo de Acção


As folhas da planta são usadas medicinalmente e os princípios activos incluem um óleo volátil, taninos e substâncias amargas, todos com valor para a acção carminativa da planta. O óleo volátil dá à hortelã seu aroma característico e contém 50 a 60% de mentol. Esta é provavelmente a parte mais importante do óleo de hortelã.


A Hortelã também possui um grau significativo de actividade anti-emética. Tem um efeito desinfectante suave, o qual, juntamente com o sabor agradável, a torna um ingrediente favorável para soluções para lavagem da boca e pastas de dentes.


Um conselho comum para aqueles que fazem uso de remédios homeopáticos é abster-se do uso de pastas de dentes com hortelã como um ingrediente. O óleo volátil contido na hortelã é muito potente, e responsável pelo sabor ‘fresco’ na boca depois do uso de pastas de dentes. Entretanto, pode também ‘desactivar’ os remédios homeopáticos.


Uso Clínico e Medicinal


  • Auxílio à digestão

  • Síndrome do Intestino Irritável

  • Náusea / Enjoo matinal

  • Descongestionante nasal

A partir de agora, lembraremos sempre dos benefícios da hortelã para o sistema digestivo sempre que servirmos um chá de hortelã após o jantar. O chá de hortelã é consumido em muitas culturas para auxiliar a digestão. A acção carminativa desta planta aumenta a secreção dos sucos digestivos e melhora as contracções musculares do estômago. Alivia gases intestinais. A hortelã não tem qualquer acção sobre inflamações no estômago e consequentemente não é usada em gastrites ou úlceras de estômago.


A acção espasmolítica da hortelã é útil para qualquer forma de espasmos no intestino, mas particularmente aos que ocorrem no Sindrome do Intestino Irritável. Inchaço e flatulência, que são características comuns desta condição, também respondem bem a hortelã.


As propriedades anti-eméticas da hortelã são favoráveis para aqueles que sofrem náuseas ou enjoos matinais. Uma chávena de chá de menta pela manhã na fase inicial da gestação pode ser de grande alívio.


Os óleos voláteis na hortelã são usados largamente como descongestionantes nasais pelas indústrias farmacêutica e herbal.


  • Camomila

Informação e Descrição


Na Inglaterra, a Camomila é usada principalmente na forma de infusão para acalmar o sistema nervoso. Foi imortalizada por Beatrix Potter em The Tale of Peter Rabbit, onde Peter é perseguido por Mr. McGregor, após ter enchido o seu estômago com as plantas do jardim. Ao chegar a casa, Mrs. Rabbit dá a Peter uma chávena de chá de camomila ‘para sentir-se melhor’. Indubitavelmente, ela tinha o conhecimeto das duas principais acções da camimila – acalmar os nervos e o tracto digestivo.


Como Mrs Rabbit já sabia, a camomila é uma excelente carminativa. É um membro da família das Margaridas e cresce livremente nos campos e como uma erva daninha nos jardins. Existe uma série de diferentes espécies de camomila mas todas tem boas propriedades carminativas.


Ao longo dos anos, infelizmente, observa-se alguma confusão com esta planta. O que normalmente referimos como camomila são actualmente duas plantas. A camomila pode ser Matricaria recutita (Camomila Alemã ou Húngara), ou Anthemis nobilis (Camomila Romana ou Inglesa). Para confundir ainda mais, estas duas espécies não estão botanicamente associadas, mas estranhamente, possuem constituintes muito semelhantes com propriedades fitoterapêuticas semelhantes. Para fins práticos, deveríamos considerar estas duas espécies como sendo semelhantes.


Modo de Acção


A Camomila tem sido amplamente estudada em laboratório, e uma série de ingredientes activos tê sido isolados. O grupo principal de constituintes activos é o Óleo de Camomila. Na década de 1930, o farmacêutico alemão, Heubner, verificou que o óleo contém azuleno que era altamente eficaz contra a inflamação, e inibe a libertação de histamina. Verificou que o óleo também contém outros importantes constituintes, os flavonóides.


Uso Medicinal e Clínico


Verificou-se também que a Camomila também possui uma actividade anti-espasmódica, e pode promover a cicatrização.


  • Gastrite

  • Doença Inflamatória do Intestino

  • Efeito sedativo suave

 


A Camomila é capaz de reduzir a inflamação e aliviar espasmos e flatulência no tracto digestivo. Ao contrário da hortelã, tem uma acção anti-inflamatória e pode ser usada quando a mucosa gástrica está inflamada.


Fora o tracto digestivo, verificou-se que a Camomila também estimula a cicatrização provavelmente devido a sua acção anti-inflamatória. Tendo em conta estas duas considerações, não é surpresa a Camomila ser usada na Alemanha como um dos melhores remédios para gastrite crónica e aguda. O chá de Camomila pode ser muito eficaz para isto e quando tomado com o estômago vazio, permite que os constituintes activos do chá entrem em contacto directo com a membrana mucosa.


Verificou-se também que a Camomila é capaz de desactivar as toxinas produzidas por bactérias embora mais pesquisas tenham que ser feitas a este respeito. Verificou-se que os óleos voláteis na camomila combinados com as toxinas das bactérias ajudam a destruir as células bacterianas. Isto pode ser de alguma relevância para a Helicobacter pylori e a formação de úlceras gástricas. Entretanto, nenhuma pesquisa tem sido feita nesta área.


Por causa das acções anti-espasmódica e anti-inflamatória, a camomila tem sido usada por uma série de pessoas para auxiliar em inflamações nos intestinos delgado e grosso. Verificou-se que a diarreia infecciosa e a colite respondem ao chá de Camomila.


Silybum marianum (Cardo Mariano/Cardo de Santa Maria)


 


Informação e Descrição


Esta é uma grande planta pertencente a família das Margaridas. Tem folhas verdes brilhantes com espinhos nas bordas e botões característicos de grandes flores roxas. Esta planta originária do Mediterrâneo é cultivada em muitas partes da Europa.


Ao longo dos anos tem-se feito um pouco de confusão acerca da terminologia desta planta. Foi primeiramente conhecida como Carduus Marianus. Hoje em dia, a maioria dos fitoterapêutas prefere usar o nome botânico ‘moderno’ Silybum marianum.


Esta planta possui uma série de nomes populares sendo Cardo Mariano e Cardo de Santa Maria os mais comuns. A planta não deve ser confundida com o Cardo Santo, que possui nome botânico Carduus benedictus, que é uma outra planta excelente para o fígado.


O Cardo Mariano tem uma longa história como uma planta medicinal. No Século XIX, o médico alemão Rademacher ficou muito interessado na actividade desta planta e tratou todos os seus pacientes com problema de fígado usando uma tintura feita a partir das sementes da planta. Esta tintura ainda é encontrada hoje em algumas Farmacopeias, trazendo o seu nome Tinctura Cardui Mariae Rademacher.


Modo de Acção


Só recentemente o princípio activo do Cardo Mariano foi isolado. É um flavonol, não identificado anteriormente e foi-lhe dado o nome Silymarin. Os pesquisadores em Fitoterapia Wagner, Hoerhammer e Munster foram os primeiros a descrever este componente, identificando-o como o princípio ‘anti-hepatotóxico’ na planta. Desde então a literatura publicada sobre esta planta confirmam que, clinicamente, o uso mais importante desta planta é para proteger o fígado contra danos.


Na sua actividade normal, o fígado é confrontado com uma boa quantidade de toxinas a cada minuto do dia. Algumas destas toxinas (como descrito na intoxicação por paracetamol) podem causar dano ao fígado. Sabe-se agora que a Silimarina é capaz de prevenir ou pode fortalecer a área antes que ocorra dano, possivelmente por estabilizar a membrana celular do fígado de modo que as toxinas não são capazes de atingi-lo. Algumas pesquisas também indicam que a Silimarina é capaz de reverter um dano já ocorrido aos hepatócitos. É provável que a Silimarina aumente os níveis de síntese das proteínas celulares, ajudando a recuperar as células danificadas e a sintetizar metabólitos importantes tal como o anti-oxidante glutationa.


Uso Clínico e Medicinal


  • Protege o fígado

  • Fortificante do fígado

  • Hepatites

  • Doenças do fígado

Dados clínicos têm agora confirmado que o cardo mariano tem um lugar significativo no tratamento de hepatites crónicas e agudas. Os sintomas de doenças do fígado que observamos quando este está funcionando abaixo da sua capacidade, tal como pouco apetite, cansaço e uma falta geral de bem-estar tem demonstrado clinicamente melhorar com esta planta.


A planta é particularmente útil também para o tratamento de fígado gordo e clinicamente, bons resultados tem sido demonstrado com a cirrose do fígado.


A quantidade de publicações sobre esta planta tem crescido tremendamente com o passar dos anos. O principal trabalho de pesquisa sobre esta planta foi feito por Vogel (150 referências), Bode (39 referências), Cairn (23 referências) e Barbarine (20 referências).



Plantas Fitoterapêuticas

Ortomolecular


Selénio



O selénio é um oligoelemento que se encontra armazenado no fígado e nos tecidos. 





Propriedades Terapêuticas




  • Anti-oxidante;

  • Protector das membranas celulares;

  • Fortalece o sistema imunológico;

  • Intervém no funcionamento da glândula da tiróide;

  • Protege o coração (reduz a viscosidade do sangue e diminui o risco de formação de coágulos) – diminui o risco de ataque cardíaco e de derrame;

  • Aumenta o bom colesterol (HDL) em relação ao mau colesterol (LDL);


  • Previne o aparecimento de cancro.



Sinais e Sintomas de Carência

A carência de selénio é relativamente rara, porém pode ocorrer em pacientes com disfunções intestinais severas ou com nutrição exclusivamente parentérica ou entérica, assim como em populações que dependem de alimentos cultivado em solos pobres de selénio.



  • Dores musculares

  • Esterilidade feminina;

  • Infecções;

  • Problemas de crescimento;

  • Perturbações cardíacas;

  • Insuficiência pancreática.


Sinais e Sintomas de Excesso



  • Artrite;


  • Cansaço;


  • Halitose;


  • Irritabilidade;


  • Disfunção renal;


  • Desconforto muscular;


  • Pele amarelada.



Sinergias
  • Actua em conjunto com a vitamina E.




Dose Diária Recomendada: 40 a 75 mcg.




Toxicidade



A ingestão de mais de 400 mcg pode provocar efeitos tóxicos (selenoses).




Fontes de Selénio
Os cereais, verduras e outros alimentos vegetais também contêm selénio, contudo, o seu teor varia de acordo com o tipo de solo a partir do qual se desenvolvem. 





Fig.1.: Frutos Secos (Fonte de Selénio)
  • Frutos secos, principalmente nas castanhas do brasil; 

  • Lentilhas;

  • Trigo; 

  • Pescada, peixes e marisco;

  • Gema de ovo;

  • Carne Magras (perú, frango); 

  • Lacticínios;

  • Vísceras (rins ou fígado).



Suplementos

Pode encontrar-se suplementos de Selénio em dietéticas e ervanárias.



Nota: aconselha-se que consulte um especialista antes de proceder a qualquer tipo de medicação.


Ortomolecular

Vitamina E

A vitamina E, também conhecida como tocoferol, é uma vitamina lipossolúvel.



Fig.1.: Vitamina E

Propriedades Terapêuticas


  • Antioxidante;

  • Regulador hormonal;

  • Ação no tecido cardiomuscular;

  • Protege contra a oxidação das membranas biológicas (lipoproteínas, nervos, músculos e sistema cardiovascular);

  • Fortalece a imunidade;

  • Protege contra cataratas;

  • Prolonga a vida dos eritrócitos;

  • Útil nas doenças neuromusculares progressivas nas crianças com disfunções hepáticas ou biliares.



Sinais de Carência

Pode ocorrer por má absorção de gorduras nos recém-nascidos ou nos prematuros.


  • Doença neuromuscular progressiva em crianças e adultos, com perda de coordenação e equilíbrio;

  • Infertilidade;

  • Degenerescência testicular.

Sinergias


  • Estabilizador dos ácidos gordos polinsaturados;

  • Aumenta a eficiência da utilização da vitamina A;

  • Aumenta a eficiência e diminui a toxicidade do selénio.

Interferências na Assimilação


  • Tabaco e álcool;

  • Contraceptivos orais;

  • Óleos minerais.

Dose Diária Recomendada: 10 a 20 mg (15 a 30 IU). Na gravidez 30 mg (45 IU).



Dose terapêutica: 200 a 1000 mg (298 a 1490 IU).

Nota: A proporção dos tocoferóis pode variar dependo do óleo. As formas sintéticas têm menor actividade.


Toxicidade

Não se conhece. No entanto, doses superiores a 4000 mg podem aumentar o risco de perdas de sangue em pacientes tratados com terapia anticoagulante. Quando se verificam efeitos colaterais, estes desaparecem quando é descontinuada a dose elevada.



Estabilidade


  • Evitar luz, oxigénio e calor;

  • Longos períodos de armazenagem – até 2 semana pode existir um decréscimo em 50%, à temperatura ambiente;

  • Fritura – destrói a vitamina dos óleos.

Fontes de Vitamina E

Origem animal:


  • Gema do ovo, fígado e gordura que envolve a carne;

  • Leite, ovos e margarina.

Origem vegetal:



Fig.2.: Fontes de Vitamina E
  • Gérmen de trigo, semente de girassol e milho;

  • Avelã, amendoim, amêndoa, noz e castanha-do-pará;

  • Abacate, batata-doce, tomates, espinafres e brócolos;

  • Aveia e outros cereais integrais. 

  • Óleos vegetais (azeite, gérmen de trigo, caroço de algodão, cártamo).




Suplementos

Pode encontrar-se suplementos de vitamina E em dietéticas e ervanárias.



Nota: aconselha-se que consulte um especialista antes de proceder a qualquer tipo de medicação.

Ortomolecular

Vitamina A

A vitamina A ou retinol é uma vitamina lipossolúvel.



Fig.1.: Vitamina A


Propriedades Terapêuticas

  • Promove o crescimento e diferenciação dos tecidos;


  • Acuidade visual;

  • Anti-oxidante;

  • Imunidade.

Sinais carência

  • Atrasos no crescimento;

  • Raquitismo;

  • Vista cansada; 

  • Xeroftalmia (cegueira); 


  • Degeneração – Apesar de não existir comprovação a evidência é cada vez maior;


  • Cegueira nocturna;

  • Doenças da pele;

  • Diminuição imunidade;

  • Menor resistência a infecções;

  • Infecções respiratórias.



Sinergias


  • Aumentar igualmente a dose de vitamina E uma vez que facilita a absorção da vitamina A.

  • Os carotenos ( caroteno, luteína, zeaxantina,criptoxantina), em natureza, são a origem de toda a vitamina A.



Interferências na Assimilação

  • Melhor absorção em relação aos carotenóides (adicionar gordura);

  • Doença hepática – Devido à má absorção ou pela dieta;

  • Álcool, café e tabaco;

  • Cortisona, nitratos e óleos minerais.


Dose Diária Recomendada: 0,8 a 1,2 mg. Na gestação – 0,5mg a 0,8mg.



Dose Terapêutica: 1,5 a 5 mg e em casos específicos pode chegar até 10 mg, com tratamento de curta duração.


Toxicidade

O caroteno é uma forma segura de ingestão, uma vez que o corpo tem a capacidade de o converter conforme as necessidades. Em casos em que não se verifique carência pode ocorrer toxicidade com tomas superiores a 5mg durante alguns dias ou em terapias prolongadas.



Sintomas:

Cefaleias, náuseas, alterações pigmentação, descamação da pele.


Estabilidade


  • A vitamina A é sensível à oxidação pelo ar;

  • A perda de actividade é acelerada pelo calor e pela exposição à luz;

  • A presença de vitamina E protege da oxidação.



Fontes de Vitamina A



Fig.2.: Fontes de Vitamina A
Origem Animal:

  • Gema de Ovos;

  • Leite, manteiga e queijos gordurosos;

  • Fígado e óleo de Fígado de bacalhau;

  • Sardinha.


Origem Vegetal:


  • Cenoura, pêssego, manga, abóbora e batata-doce;

  • Brócolos, couves, espinafres e acelga;

  • Maçã, melão, abacate e cajus.





Suplementos

Pode encontrar-se suplementos de vitamina A em dietéticas e ervanárias.



Nota: aconselha-se que consulte um especialista antes de proceder a qualquer tipo de medicação.

Ortomolecular

Vitamina D

A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel e de acordo com as estruturas químicas pode apresentar-se sob várias formas.





Fig.1.: Vitamina D

  • Vitamina D2 (ergocalciferol) – origem vegetal

  • Vitamina D3 (colecalciferol) – origem animal



Propriedades Terapêuticas


  • Metabolismo do Ca e P (fortaleze dentes e ossos);

  • Regula hormonas de crescimento;

  • Resposta imunitária;

  • Ajuda a emagrecer.



Indicações Terapêuticas



  • Artrites;

  • Acne;

  • Fertilidade;

  • Psoriase;

  • Hipertrofia;

  • Lúpus tuberculoso;

  • Doenças auto-imunes (esclerose múltipla).


Sinais de Carência



  • Raquitismo;

  • Osteomalácia;

  • Osteoperose;

  • Fracturas espontâneas;

  • Fraqueza muscular.


Nas crianças podem apresentar-se sintomas não específicos como…



  • Inquietação;

  • Irritabilidade;

  • Sudação excessiva;

  • Diminuição do apetite.

Sinergias


Em combinação com a vitamina A ajuda na regressão de processos degenerativos.



Interferências na Assimilação


  • Álcool;

  • Laxantes;

  • Óleos minerais;

  • Corticosteróides;

  • Anti-convulsivos.

Dose Diária Recomendada: 200 a 800 IU (5 a 20 mcg).



Dose Terapêutica: 800 a 1200 IU (20 a 30 mcg).




Toxicidade


  • Crianças – dose toxica encontra-se entre 0,5 mg e 1 mg.

  • Adultos – evitar-se doses superiores a 1500 IU (37,5 mcg) durante vários dias consecutivos (intervalar de 5 em 5 dias).

 Nota: Alguns indivíduos podem apresentar sensibilidade após 2000 IU (50 mcg).




Sintomas


  • Anorexia;

  • Náuseas;

  • Calcificação de tecidos moles.




Estabilidade

Nos alimentos a vitamina apresenta-se estável. No entanto a armazenagem, processamento e cozedura dos alimentos pouco interfere na sua actividade. No leite a vitamina D é reduzida por exposição ao sol.



Fontes de Vitamina D



Origem Animal:




Fig.2: Fontes de Vitamina D

  • Óleo de fígado de peixe;

  • Peixes de água salgada (atum, salmão, sardinha, etc.);

  • Ovos e carne e lacticínios (leite, iogurtes e queijos).


    Origem vegetal:

    • Tofu;

    • Soja;

    • Aveia;

    • Outras fontes enriquecidas: alguns cereias, sumos de laranja, leite, margarinas, pães, bolachas e doces.

    Os raios solares ajudam a gerar a vitamina D, por isso uma exposição adequado ao sol ajuda a obter esta vitamina.



    Suplementos

    Pode encontrar-se suplementos de vitamina D em dietéticas e ervanárias.



    Nota: aconselha-se que consulte um especialista antes de proceder a qualquer tipo de medicação.

    Patologias

    Contractura Muscular




    Fig.1.: Contractura Muscular

    Os músculos, em condições normais, nunca se encontram num total estado de relaxamento, encontrando-se submetidos a uma determinada tensão interna (tónus muscular). Esta tensão interna é essencial para que todo o corpo e para que cada segmento corporal mantenha o equilíbrio. Em situações de contractura existe um encurtamento das fibras musculares pelo aumento persistente do tónus muscular a níveis superiores ao normal, fazendo com que o músculo ou músculos afectados fiquem sob tensão. Este aumento de tensão provoca dor à pressão e ao toque, e dificulta ou impede o movimento do segmento corporal onde se encontram ou cujo movimento depende deles. Normalmente, esta situação está associada ao aumento de acumulo de ácido lácteo a nível muscular, decorrente da respiração anaeróbia realizada pelas células musculares em esforço intenso. No entanto, o aparecimento de contracturas pode estar relacionada com outras causas, podendo estas actuarem em conjunto.

    Causas 



    • Adopção de posições corporais inadequadas – Ex.: Inclinar a cabeça  ou curvar a coluna para um dos lados faz com que os músculos dessa região fique contraídos quase de forma permanente permanecendo rígidos.

    • Excesso de esforço e traumatismos musculares – Ex.: Os músculos perto da coluna lombar costumam ser expostos a esforços bruscos e intensos fazendo com que fiquem rígidos e comprimam estruturas nervosas vizinhas, como nervos sensitivos, provocando dores que podem levar ao aparecimento de lombalgias.

    • Problemas neurológicos e até psicológicos – Ex.: As dores intensas podem provocar contracturas nervosas em que os músculos ficam rígidos de forma a evitarem a tracção dos tecidos danificados, protegendo-os de agressões externas. Já no caso das neuroses de conversão a mesma situação pode suceder, esta situação pode tornar um membro completamente rígido.

    • Deformações nos ossos e articulações ou pela presença de extensas cicatrizes – Esta situação pode ocorrer durante ou após a utilização de gesso que imobilize um segmento ou depois de um período de repouso absoluto prolongado.


    Manifestações
    • Súbita – Aparecem de forma repentina após traumatismo ou movimento brusco.

    • Gradualmente – Aparecimento progressivo, por exemplo: devido a posições corporais anómalas ou inadequadas. 


    Localização

    • Músculos mais volumosos do pescoço, do tronco e dos membros (mais frequente).

    • Pequenos músculos, como nas pálpebras ou dos dedos dos pés.


    Sintomas

    • Rigidez do músculo afectado.

    • Dificuldade ou impossibilidade de mover o segmento corporal que pode levar à sua imobilização.

    • Dor local que normalmente manifesta-se ao toque ou ao tentar-se mover o segmento corporal que ficou imobilizado, embora também se possa evidenciar, com alguma frequência, de maneira espontânea.

    • Alteração da simetria corporal, caso a contractura seja muito significativa.


    Tratamento

    Contracturas Mais Ligeiras
    Cedem espontaneamente ao fim de alguns minutos, horas ou, no máximo, alguns dias. 

    Contracturas Ligeiras ou Moderadas
    É conveniente realizar um tratamento específico, em que sejam incluídas massagens e uma série de exercícios específicos. Durante o período de recuperação é importante um repouso quase absoluto em que o paciente deverá realizar o mínimo de esforços possíveis. No entanto, quando é necessário retomar rapidamente à actividade, como é comum nos desportistas profissionais, podem ser administrados analgésicos por via oral ou soba forma de sprays de aplicação local. Este tipo de medicação visa aliviar a dor, mas o movimento continuo do segmento afectado tende a pior a situação mesmo com os analgésicos.


    1. Deve ser aplicado calor no local afectado

    2. De acordo com a gravidade da contractura, pode ou não ser utilizada estimulação e

    3. Devem ser administradas massagens e mobilização dos tecidos afectados e da toda a extensão da fáscia.

    4. Pode ainda ser usado ultrassons que contribuem para a regeneração tecidular e diminuição da inflamação.

    Atenção: É importante, principalmente nos atletas, proceder a uma série de alongamentos no final de cada treino com o objectivo de evitar o aparecimento de lesões.

    Contracturas Severas e Persistentes
    Embora as contracturas não originem, na maioria dos casos, complicações anatómicas persistentes, se forem graves e constantes, podem alterar a forma e o funcionamento dos ossos e das articulações mais próximas, sendo então necessário recorrer a uma intervenção cirúrgica para reparar os tecidos danificados.

    Nota: aconselha-se que consulte um especialista desta área antes de proceder a qualquer tipo de tratamento.


    Ortomolecular

    Carnitina

    Utilizações Terapêuticas


    • Doenças cardiovasculares

    • Angina de Peito

    • Enfarte Agudo do Miocárdio

    • Insuficiência Cardíaca Congestiva

    • Colesterol e Triglicéridos Elevados

    • Doença Renal e Hemodiálise

    • Infertilidade Masculina

    • Aumento da Performance Física

    Outros..


    • Alzheimer, depressão senil e falta de memória relacionada com a  idade.

    • Arritmias

    • Diabetes

    • Doenças Hepáticas

    • Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

    • Infecção por HIV



    Usada concomitantemente com…



    • Ginkgo Biloba – Ajuda a promover a vasodilatação e a inibir o factor de agregação plaquetária, sendo que contribui para a diminuição da taxa de AVC’s.

    • Gugul – Ajuda a diminuir os níveis de colesterol e triglicéridos.

    • Cardo Mariano – Contribui para o aumento de metabolização das gorduras a nível hepático.

    • Cimicifuga (terapia hormonal de substituição) – Útil na diminuição do risco de enfarte do miocárdio e AVC.

    • Coenzima Q10 – Promove o aumento do aporte de oxigénio ao miocárdio.

    • Bromelaína – Ajuda na diminuição da coagulação do sangue.



    Acção Fisiológica da Carnitina




    Fig.2.: Metabolismo Celular

    A carnitina é um aminoácido não proteico essencial na realização do transporte de ácidos gordos de cadeia longa para o interior da mitocôndria. Desta forma, possibilita a oxidação destes lípidos e a produção de energia por esta via. Concomitantemente, com o aumento do metabolismo celular, a carnitina ajuda a reduzir as gorduras armazenadas no tecido adiposo, assim como as que estão em circulação no sangue, responsáveis pela subida do colesterol total e que poderão vir a originar ateroesclerose.

    Dose Recomendada: 1500 a 4000 mg diárias.
    A suplementação oral não aumenta necessariamente os níveis de carnitina muscular, principalmente em indivíduos sedentários. Geralmente costuma-se verificar níveis normais de carnitina em indivíduos obesos, sugerindo, que o problema não se encontra nos níveis de carnitina, mas sim na sensibilidade dos receptores celulares à carnitina. Essa sensibilidade deve ser estimulada com a actividade física.




    Estudos
      1. L-Carnitna em pacientes com angina de peito estável induzida pelo exercício
    Foram formados dois grupos de pacientes, em que o grupo 1 tomou nitroglicerina, diuréticos, bloqueadores de canais de cálcio, entre outros, e o grupo 2 realizou a toma de L-Carnitina (2000 mg/dia). A L-Carnitina mostrou melhores resultados em relação à diminuição de colesterol LDL, triglicéridos e depressão do segmento ST. Além disso, também promoveu a diminuição das contracções ventriculares prematuras em repouso e o aumento da tolerância ao exercício.



      2. Carnitina na doença renal e hemodiálise
    O rim é o orgão responsável pela sintese de carnitina. Durante a hemodiálise os níveis séricos de carnitina decrescem até 80%.
    A suplementação de L-Carnitina durante a hemodiálise conduziu ao desaparecimento de angina pectoris e arritmias, redução de sintomas musculares (incluindo cãibras), aumento da massa muscular e melhoria na anemia crónica.

      3. L-Carnitina na infertilidade masculina
    A concentração de carnitina é essencial para o metabolismo energético dos espermatezóides, assim quanto menos carnitina existir maior a infertilidade (baixa percentagem na quantidade de espermatezóides e diminuição da mobilidade dos mesmos).
    A administração de L-Carnitina demonstrou um aumento de esperma ejaculado e o aumento da velocidade dos espermatozóides.

      4. L-Carnitina na lesão neuronal provocada pela hipoxia isquémia em ratos recém-nascidos
    Estudo realizado com o intuito de testar a eficácia da carnitina como neuroprotetora em recém-nascidos. O resultado deste estudo, em ratos recém-nascidos, foi de uma  redução da morte neuronal após hipoxia-isquémia. 
    Visto que o tratamento de lesões cerebrais nos recém-nascidos é muito limitado houve a necessidade de surgir novas modalidades terapêuticas com baixos riscos de efeitos adversos para os recém-nascidos asfixiados. 
    A carnitina é assim uma boa alternativa, visto ser de fácil administração e por ter uma baixa toxicidade, garantindo a neuroprotecção. No entanto, este nutriente merece ainda mais estudo como tratamento ou profilaxia para a asfixia do recém-nascido no feto em risco.

    Nota: aconselha-se que consulte um especialista antes de proceder a qualquer tipo de medicação.


    Suplementos Desportivos

    L-Carnitina


    A L-carnitina é uma molécula de baixo peso molecular, não sendo considerada um nutriente essencial, pois pode ser sintetizado no corpo. No organismo pode ser encontrada no coração, na estrutura músculo-esquelético, no rim, no fígado e no cérebro. É sintetizada pelo corpo a partir dos aminoácidos Lisina e Metionina, ferro, vitaminas C, B3 (niacina) e B6. A principal função da L-Carnitina no corpo é facilitar o metabolismo de gorduras para obter energia. As gorduras são metabolizadas no interior da mitocôndria da célula por um processo conhecido como beta-oxidação. Para que as gorduras possam entrar na mitocôndria, um sistema de transporte específico, que envolve a Carnitina e três enzimas, é necessário. A activação inicial, que é necessária para a conversão doas ácidos gordos de cadeia longa em Acetil-CoA, acontece nos mitossomas da mitocôndria e na membrana mitocondrial mais externa. Porém, a Acetil-CoA de cadeia longa não pode penetrar a membrana mitocondrial mais interna para ser oxidada se a carnitina não estiver presente. Assim, a carnitina age como um sistema de transporte. Quando ligada à carnitina como Acetil-carnitina, a Acetil-CoA pode atravessar a membrana mitocondrial interna. Sem a carnitina, as gorduras não poderiam ser queimadas como combustível e como consequência estas seriam armazenadas no sangue e nas células sob a forma de lípidios e triglicéridos.

    Na Performance Desportiva…

    O efeito da L-carnitina no exercício foi estudado intensamente, tanto em animais, como em humanos. Toda a evidência demonstra que aumenta o nível de desempenho desportivo e que melhora a capacidade aeróbica e anaeróbica.

    Tomada antes dos treinos proporciona:

    • Aumento dos níveis de desempenho de exercício sub-máximo;

    • Aumento da potência aeróbica máxima;
    • Armazenamento de glicogénio no fígado e no músculo durante exercício de alta intensidade e prolongado;
    • Melhoramento do uso de glicose em exercício anaeróbio;
    • Aumento da produção de energia em corredores velocistas;
    • Aumento do volume de oxigénio máximo até 6-11%;
    • Redução da produção de ácido láctico (previne o aparecimento de cãibras);
    • Asseguramento de uma redução drástica da dor muscular;
    • Redução dos radicais de amónia produzidos depois de exercício intenso. Reduzindo a produção de amónia, aumenta a capacidade de desintoxicação;
    • Aumento do desempenho dos músculos, particularmente em indivíduos que não treinam;
    • Tendência reduzida para sofrer micro-lesões e infecções (estimula o sistema imune);
    • Redução dos tempos de recuperação;
    • Aumento da vitalidade;
    • Redução da frequência cardíaca durante o exercício;
    • Redução da libertação de enzimas de stress.
    • A evitar perda de L-carnitina típica de desportos de resistência.
    • Intensificação dos efeitos do treino muscular (não só aumenta a força dos músculos, mas também a definição e o crescimento).
    • Aumento da circulação e da respiração, melhorando consequentemente a oxigenação dos músculos.
    • Aumento da meia-vida das células sanguíneas vermelhas;
    • Na ajuda a prevenir a miocardite típica de atletas;
    • Melhoramento na função do diafragma e da respiração abdominal.

    Após os treinos…
    Os efeitos de L-carnitina são também visíveis após os treinos, pois ajuda a prevenir o aparecimento de fadiga prematura e o esgotamento mental, e até mesmo a falta de energia que normalmente aparece no dia seguinte aos treinos. 


    Isto acontece devido a:

    • Aumentar a concentração e a capacidade mental;
    • Reduzir os radicais de amónia;
    • Produzir efeitos positivos no cérebro e nos nervos;
    • Estimular o efeitos das endorfinas (hormonas que inibem a dor);
    • Melhorar as condições dos músculos (crescimento muscular, força aumentada e definição).

    Biodisponibilidade
    A L-carnitina, como suplemento desportivo, geralmente é comercializada na forma líquida, ou em cápsulas e comprimidos. No entanto, é aconselhado a toma de L-carnitina sob a forma líquida antes dos treinos por ser mais facilmente absorvida pelo tracto gastrointestinal.


    Suplementos de Carnitina

    • Presente em Fórmulas de Emagrecimento:
    A carnitina frequentemente aparece em fórmulas com outros ingredientes apontados como estimulantes do metabolismo, como Inositol, vitaminas do grupo B, metionina e betaina. Isto porque é também usada com o objectivo de perda de peso. 

    • Sinergia c/ Vitamina C: 
    Normalmente, também pode ser encontrada associada à vitamina C (ácido ascórbico)  por ser importante para a síntese de carnitina no corpo. Tanto a carnitina como o ácido ascórbico previnem o aparecimento de fadiga típica de certos grupos da população (idosos, atletas, etc.).

    • Acetil-carnitina (ALC):

    Forma especial de carnitina particularmente adaptada para optimizar a função cerebral. A ALC é capaz de cruzar a barreira hemato-encefálica mais facilmente que a carnitina, sendo muito útil para estimular a função neuronal.
    • L-carnitina e D-carnitina: 

    Diferen na sua estrutura espacial (Lavorotatoria ou Dextrorotatoria). Porém, como consequência desta diferença, a D-carnitina tem um efeito tóxico, sendo capaz de esgotar as reservas de L-carnitina do organismo. Além disso, a forma D não possui nenhum dos efeitos benéficos da forma L (o corpo só sintetiza a forma L). Visto isto é apenas aconselhável a toma de L-carnitina e nã de D-carnitina.


    Como deve ser tomada?


    Dose diária de L-carnitina: 15-30 mg kg de peso corporal. Logo são aconselhado cerca de 1500 a 2000 mg de L-carnitina cerca de meia hora ou uma hora antes do treino. 



    Interacções: De acordo com todos os estudos revistos, nenhuma interacção negativa com tratamentos médicos foi encontrada. No entanto, não é recomendado que a L-carnitina seja ingerida em conjunto com fibra dietética ou laxantes, pois pode fazer com que ela seja eliminada pelas fezes. 



    Efeitos Secundários: Este suplemento não tem nenhum efeito secundário nas doses indicadas. Doses maiores que 3 gramas por dia podem produzir diarreias em indivíduos susceptíveis.


    NÃO É CONSIDERADO DOPING pelos organismos internacionais. É uma substância totalmente natural que é achada no corpo, no qual serve para desempenhar várias funções benéficas.

    Atenção!!
    Atletas com dietas alimentares especiais (vegans ou vegetarianas) podem apresentar um défice de carnitina, pois este nutriente encontra-se em produtos animais, acima de tudo em vísceras e carne vermelha. Fontes vegetais com maior teor de carnitina são o abacate e o tempeh. No entanto, continua a ser insuficiente, pelo que a sumplementação pode ser de extrema importância.